sexta-feira, 27 de julho de 2018

Aqui onde sou estrada,
já fui chão
de pedras, um fio na mata,
Uma picada com curta duração,
que hoje segue
e que termina
no azul,
no findo azul
da imensidão.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Lula

Existe lula pequena
lula média e até gigante;
e meu amigo, acredite
existe lula falante.

Luiz Delfino
04082009
5:03

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

A Lira

Nos campos cobertos de lírios
em passos eu traço uma lira;
da seda tecida num lírio,
eu faço as cordas da lira.

De cima o inseto pranteia,
à forma que dei ao seu canto,
que dele desfiz sua teia,
pra nele tocar o meu pranto.

E o vento que o campo transpira,
num sopro assim... inspirado
retira das cordas da lira
meu pranto já muito alquebrado.

E o inseto, num instante, se vinga,
do bardo que com a lira pranteia,
e tece, retece, respinga...
refaz novamente uma teia

Luiz Delfino
04082009

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

As Mãos




Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema - e são de terra.
Com mãos se faz a guerra - e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas, mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor, cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.


Manuel Alegre

*

Fonte: Jornal da Poesia
(Galeria de pinduricos – Flickr
Formatação rosangela_aliberti)