sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Os Milagres das Palavras

Os milagres da Palavra leva a palavra ao entendimento , ao coração, à imaginação dos outros, os mais recônditos segredos da nossa alma. Grandes, variados, estupendos os efeitos da palavra! Move todas as fibras do coração humano; consola, aflige, irrita, estimula, acalma. No balbuciar da criancinha tem encantadora magia, na infância é o enlevo dos pais, nos lábios dos velhos é solenemente triste, como triste é o despedir do crepúsculo cedendo lugar às trevas da noite. No jovem é falgazã e alegre, ponderada e madura no varão. Na boca do general dá ímpeto e ânimo ao soldado, na do mestre ilumina a inteligência, na do orador ora revolve as multidões, ora serena paixões exaltadas; desperta os frios, infunde brios ao indolente. A mesma palavra consola, repreende e anima. Na boca do poeta a palavra fala à fantasia e ao coração, povoando aquela de imagens, revolucionando o coração de afetos. A ciência que revela os metais contidos nas entranhas da terra é admirável, admirável a que penetra no fundo dos mares, e nos mostra os segredos que lá se ocultam; admirável a que remonta muito acima das nuvens e nos comunica fenômenos não suspeitados; admirável a que chega a penetrar no interior dos astros para nos dar com segurança sua composição íntima. muito mais admirável, porém, é o dom da palavra que manifesta os segredos da alma humana mais profunda que os mares, mais alta que a atmosfera, mais recôndita que os astros.Dom Silvério Gomes Pimenta ( Discurso de recepção na Academia Brasileira de Letras) in Florilégio da Literatura Luso-Brasileira páginas 170-171- Silveira Bueno Livro Restaurado - Sem identificação de data e editora Luiz Delfino

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Frio

Aqui o frio
me roi
a carne.

No espaço
que divido
entre as gentes;

Tudo é cinza
e o Sol,
é semente.

Luiz Delfino
27012009

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

O Vento Sopra

O vento sopra
devagar

a onda vaga
pelo mar

Luiz Delfino
21012009

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A luz é feita num tempo

A luz é feita num tempo
em que a tristeza não vem
ela foge ao pensamento
não se desfaz quem a tem.

Luiz Delfino
18012001
23:19

domingo, 18 de janeiro de 2009

De repente o sol surge

De repente o sol surge,
a alegria vem,
mas amanhã....
é de ninguém

13/01/2009

Se em guerras se falam

Se em guerras se falam
Amigos(as) Preocupa-me aqui a conotação cruel que procurei passar, com humildade, por meio destes versos.Mas a bem da verdade é que conheço quem gostaria de declamar estes versos em alto e bom som, com orgulho, pela "coragem que tem" de dizer em público, por diversas vezes, que fora treinado para ser frio com seus semelhantes.Gostaria de citar seu nome, mas é muito poderoso e, sendo assim...coragem não tenho... Abraços Luiz Delfino

Se em guerras se falam,
eu mais me contenho,
engasgo, me calo,
- coragem eu tenho.

Se há mil crueldades,
por mil não me empenho,
engasgo as verdades
- coragem eu tenho.

Se a guerra for Santa
a santa desdenho,
engasgo mais tantas,
- coragem eu tenho.

Se for palestino,
também o desdenho
engasgo o destino,
- coragem eu tenho,

Se for um judeu,
judeus eu desdenho,
engasgo o sandeu.
- coragem eu tenho.

Se for um cristão
cristãos eu desdenho,
engasgo um irmão,
- coragem eu tenho.

Se for meu tesouro
já nisto me empenho;s
e for tudo em ouro
é meu, me contenho.

05012009

Tudo esta ficando bem

Tudo está ficando bem,
no céu há doce cenário,
torrentes ainda nos vem
e todos em campanário,

assistem a construção,
na terra, que da água teve,
da mais altiva aflição
por tempo, morta de sede,

Barrancos, alguns deslizam,
na cinza camada verde,
das folhas que se balizamno
solo que ainda se perde.

Nas praças há sempre a graça,
de tudo parecer bem,
e de onde surgiu desgraça,
devassa se faz também.

05012009

A preguiça é coisa séria

A preguiça é coisa séria,
espalhada pelo mundo,
pode parecer "miséria",
o que for de vagamundo

09012009

Se eu lhe jogar uma pedra

Se eu lhe jogar uma pedra,
bombas você vai me jogar,
se me mandares "pro" merda,
"no" merda eu já "me encontrar"

... Sem conotação política alguma....Eu só iimaginei um amigo meu que tem aqui, - comerciante é claro - de origem árabe, entrando "no lojinha" de um outro amigo que temos em comum, Judeu, e muito religioso, diga-se de passagem, conversando sobre qualquer assunto e o segundo, mais rico, ameaça jogar-lhe uma bomba... ai nasceu a quadrinha. Tenho ciência que não é hora de fazer qualquer tipo de piada em relação à qualquer conflito armado e também não é esta idéia uma vez que não sei o que dizer ou escrever sobre o tema já que não acredito mais nos homens que lideram os seus paises, na ONU,. e tantas outras organizações; nem mai no Presidente da Associação do meu bairro ponho mais fé....A quadrinha também pode ter suas diversas interpretações.E meus amigos em comum não se aborrecerão, ao contrário, os dois vão tentar me cobrar uma taxa por eu ter usado as imagens deles, mesmo na mente....

Livia Helenna

Cá tenho, em minha cidade,
uma comadre tão bela,
desprovida de maldade,
às vezes ela não é ela.

quarda sempre em seu cantinho,
um presente bem sagrado,
que de mim, o maior carinho,
será sempre em separado.

Minha comadre Melissa,
tem na vida uma Luz Plena,
- minha pequena noviça -
minha doce Livia Helena.

* * *
De voce tenho saudade,
- venha logo visitar-me -
e tome sempre a liberdade,
de com carinho abraçar-me.

A boca que suga

A boca que suga
meu hálito quente,
que envolve e se enxuga,
com gesto fremente

um corpo que pede,
prazeres, bem mais
que a tez quase fere,
com os feitos mortais

da língua que passa,
e se perde em gestos,
que morde e transpassa
ungida em protestos

me faz consumido,
em corpo que cai
e ter-se exaurido,
qual sumo que sai.

Luiz Delfino
11012009